sábado, 11 de agosto de 2018

Maria, Mãe de Deus e Nossa Mãe



Quando examinamos os livros do Novo Testamento, em ordem cronológica, vemos que os autores falam, cada vez mais, de Nossa Senhora. Marcos, o Evangelho mais antigo dos quatro canônicos, é o que menos a cita; Mateus confere-lhe um destaque maior; em Lucas, encontramos o famoso "magnificat"; e São João, o último Evangelho canônico escrito, é o único que fala de dois episódios cruciais: as Bodas de Caná, quando Jesus Cristo decide iniciar o seu ministério público por intercessão da Sua Mãe, e a maternidade de Maria, quando Jesus fala ao apóstolo João "Aí está o seu filho".

Vamos ao último livro bíblico escrito: o Apocalipse! Lá, Nossa Senhora tem um papel crucial, é chamada de "mulher vestida de Sol" e descrita em sua luta com um dragão, que é a antiga serpente.

Deus é o único ser em quem todas as propriedades são essenciais. Não há nada sobrando nEle. As ações humanas, contrariamente, são um conjunto de verdadeiras trapalhadas porque, freqüentemente, estamos fazendo coisas das quais nos arrependemos.

Deus, por ser onipotente e onisciente, sabe, precisamente, o que está fazendo quando age. É nesse sentido que, por exemplo, Santo Tomás afirma que Deus fala com as palavras e com as coisas, enquanto nós falamos apenas com as palavras. Os milagres de Jesus Cristo são chamados de "sinais" justamente porque Jesus era Deus e sabia, por ser Deus, exatamente o que fazia.

A Tipologia, na Teologia, parte dessa prerrogativa. As ações de Deus, no Antigo Testamento, prefiguram as realidades presentes no Novo Testamento porque Deus fala-nos com os acontecimentos e porque, por não ser esquizofrênico, as escolhas que Deus fez na Antiga Aliança são as mesmas que Ele faz na Nova.

O homem e a mulher que nos introduzem no pecado, Adão e Eva, são prefigurações do homem e da mulher que nos introduziriam na salvação futuramente, Jesus e Maria; as águas que condenariam a humanidade no dilúvio prefiguram as águas que a salvariam por meio do batismo; a arca da aliança, comportando as tábuas da Lei, a Palavra Escrita por Deus, prefigura Nossa Senhora, que portaria Cristo, a Palavra viva encarnada, no seu ventre; o maná que alimenta o povo judeu prefigura o Pão da Vida, Jesus eucarístico; e assim por diante.

As próprias ações de Jesus Cristo nunca são gratuitas, mas sempre prefiguram as realidades da Nova Aliança.

Quando Jesus Cristo escolhe iniciar o seu ministério público, nas Bodas de Caná, por intercessão de Nossa Senhora, Ele está dizendo-nos que Maria teria um papel importante como intercessora, tendo a "onipotência suplicante". Quando Jesus, na cruz, diz ao apóstolo São João que Maria é sua mãe, ele está prefigurando o papel de Maria como "Mãe da Igreja", como enfatizou o Concílio Vaticano II.

Voltemos ao Evangelho de João. Uma das últimas palavras de Cristo, na cruz, foram aquelas dirigidas à sua mãe — "Aí está o seu filho" — e a João — "Aí está a sua mãe" (Jo. 19.26). Por que Jesus diria essas palavras crucificado, sabendo que, em breve, morreria? Ele estava apenas falando para João cuidar da sua mãe? Será que ele não se lembrou de pedir isso ao Apóstolo durante todo o tempo que teve antes da sua crucificação, lembrando que Jesus sabia qual seria o seu destino (Mt. 20.17-19), e, de repente, de última hora, percebeu que sua mãe precisaria de cuidados? Sabendo que aquelas palavras finais teriam repercussão na história, ele decidiu apenas dizer a São João que tomasse conta da sua mãe? Cristo, na verdade, sabia muito bem o que estava fazendo naquele momento. Ele estava indicando que todo cristão seria filho de Maria e que ela seria a nossa Mãe.

Longe de ser a mera glorificação de uma criatura, em detrimento do seu Criador, diminuir a importância de Maria, que lhe é conferida pelo próprio Cristo, em um momento crucial da sua vida, é, no fim das contas, diminuir a importância do próprio Jesus Cristo. Se as suas ações não são como as ações divinas, totalmente premeditadas e cheias de significado, se Jesus é tão atrapalhado como qualquer outro ser humano ao agir, decidindo começar sua atuação pública de uma hora pra outra e dando-se conta, no último momento, de que sua mãe estaria desprotegida, em vez de ter claras intenções ao reportar-se ao seu apóstolo, Cristo não pode ser o próprio Deus encarnado.

Todos os títulos marianos, por conta disso, devem-se a Jesus. Maria, por exemplo, é o "Vaso Espiritual" porque Jesus é o doador do Espírito Santo; ela é a "Sede da Sabedoria" porque o próprio Cristo é a Sabedoria; ela é a "Estrela da Manhã" porque Cristo é o Sol da Justiça; ela é a "Indicadora do Caminho" porque o próprio Jesus é o Caminho; ela é o "Frasco de Perfume" porque o Messias é o "Perfume que salva" (2 Cor. 2.15s.); ela é "O Cofre que Guarda o Tesouro" porque Jesus é o Tesouro; ela é a "Árvore da Vida" porque Jesus é o fruto nutriente que nos alimenta e assim por diante.

A situação não é diferente com o título de “Mãe”. Jesus foi o único ser humano que teve o privilégio de escolher quem seria a sua própria mãe, muito antes de ela existir. Se queremos ser como Jesus Cristo, aprendamos a fazer as mesmas escolhas que as suas, tomando Maria por Nossa Mãe.

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