segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Uma futura gravidez seria muito arriscada (Tadeusz Pacholczyk, PH.D.)

Várias condições médicas podem afetar a capacidade de uma mulher suportar uma gravidez, por vezes, com ameaças à sua vida e da criança.

Algumas dessas condições incluem a hipertensão pulmonar, a síndrome de Marfan e certos problemas congênitos com a aorta. Quando um médico informa uma mulher que ela não pode engravidar no futuro sem sérias conseqüências para si e para o seu bebê, ter as trompas ligadas pode parecer ser a solução mais adequada. Alguns, além disso, argumentariam que, uma vez que a esterilização seria por “razões médicas”, tratar-se-ia de uma “esterilização indireta” e, portanto, aceitável moralmente.

No entanto, na verdade, uma ligadura nas trompas a fim de evitar uma gravidez futura não seria uma esterilização indireta em absoluto. Uma esterilização indireta é um procedimento que, no tratamento de um problema médico existente, provoca uma perda não intencional da fertilidade no processo. Por exemplo, quando um paciente tem câncer, recebe radiação e quimioterapia, um efeito secundário e não intencional pode ser a esterilidade. Ou quando um homem está lutando contra um câncer testicular, ele pode ser submetido a uma remoção cirúrgica dos testículos a fim de combater a doença, com a conseqüência indesejada de que ele se tornará estéril. Esterilizações indiretas são moralmente permitidas sempre que exista uma séria patologia envolvida e quando os efeitos contraceptivos são involuntários.

Quando uma mulher que sofre de hipertensão pulmonar escolhe ligar suas trompas, entretanto, a laqueadura não se dirige à hipertensão ou à sua cura; ela está, portanto, optando por uma esterilização direta. Quando um homem escolhe uma vasectomia porque está preocupado com a transmissão de um gene defeituoso à sua prole, ele está, da mesma forma, optando por uma esterilização direta. Uma esterilização direta é moralmente inaceitável porque ela envolve a decisão de mutilar diretamente um sistema saudável do corpo, que está funcionando bem e normalmente, por conta de uma finalidade contraceptiva. Tais violações são lugares-comuns nos dias de hoje. Nos Estados Unidos, estima-se que 700.000 mulheres submetem-se a ligações cirúrgicas das trompas a cada ano e cerca de 600.000 homens submetem-se a vasectomias cirúrgicas.

As vasectomias e as laqueaduras não tratam qualquer doença ou patologia realmente existente. Quando uma mulher liga as suas trompas a fim de tornar qualquer ato sexual futuro infértil, ela está escolhendo mutilar uma faculdade fundamental do seu próprio corpo porque ela e/ou o seu esposo não desejam praticar a abstinência periódica para evitar uma gravidez potencialmente perigosa. Uma ligação de trompas sob estas circunstâncias não seria, de fato, por razões médicas, mas, em vez disso, por razões de conveniência marital. Temos o dever de respeitar a integridade e a totalidade dos nossos corpos e cortar trompas de Falópio saudáveis no corpo de uma mulher nunca é uma decisão médica moralmente defensável.

Um dos erros fundamentais no pensamento que está por trás da decisão pela esterilização cirúrgica é a crença de que não se deveria realmente esperar do homem e da mulher que eles tenham controle e domínio das suas energias e impulsos sexuais. Assim, muitos, hoje, parecem ter renunciado ao projeto da busca do domínio próprio no campo da sexualidade. Enquanto é claro que não se pode sobreviver sem comida ou água, é falso supor, como nossa cultura parece presumir, que não se pode sobreviver sem a gratificação sexual. O sexo não é necessário para a sobrevivência individual, nem indispensável para uma vida pessoal saudável e completa. Para alguém solteiro, de fato, uma vida pessoal saudável e completa dependerá do ordenamento adequado das faculdades sexuais por meio da autodisciplina da abstinência e por meio de um concomitante crescimento em virtudes. Isto é válido no casamento também, em que o relacionamento conjugal deve crescer e amadurecer. O casal pode ter de praticar tal disciplina em condições de recrutamento militar, de ausências concernentes ao trabalho e por conta de doenças crônicas ou agudas.

Sempre que possa haver razões legítimas para evitar-se uma gravidez, como no caso de uma séria ameaça à vida da mãe ou da criança, os casais serão chamados a uma prática similar de autodisciplina, recorrendo apenas àqueles meios de evitar a gravidez que respeitem genuinamente o dom da sua sexualidade e as suas respectivas masculinidade e feminilidade. Em termos práticos, isso implicará a escolha por uma abstinência periódica durante os períodos férteis conhecidos do ciclo da mulher como meio de evitar uma gravidez. Poucas décadas atrás, as técnicas de “planejamento familiar natural” tornaram-se bastante sofisticadas e precisas na sua capacidade de determinar quando uma mulher está fértil. Os casais podem usar essa informação para limitar as relações sexuais aos períodos inférteis, praticando a abstinência durante os períodos férteis, quando há sérias razões que justifiquem isto. Respeitar a sexualidade conjugal dessa forma e recusar-se a comprometer nossas faculdades sexuais por meio de vasectomias ou de ligaduras de trompas promovem virtudes pessoais importantes no casamento e respeitam devidamente os desígnios divinos e de doação da vida dos nossos corpos.




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