domingo, 4 de novembro de 2018

Pedido de aniversário de 2018

Em 2015, eu comecei a fazer algo, por ocasião do meu aniversário, depois que deixei de ter minha bolsa no mestrado — não tenho nenhuma renda fixa hoje —, que me ajudou muito na minha vida de estudos. Pretendo repetir a iniciativa neste ano.

No próximo dia 13 de novembro, no mesmo dia em que nasceram Agostinho e Saul Kripke, completarei 33 anos. É bastante difícil ser intelectual no Brasil, começando pela língua portuguesa: praticamente tudo o que leio e estudo encontra-se em outros idiomas. Quanto mais se estuda, mais os livros são especializados e mais caros e raros eles são. 

No ano que vem, este blogue completará 10 anos de existência. Ele será reformulado, mudará de nome, e pretendo ser mais ativo nele.

Dito isso, se você se sente grato, de alguma forma, pelo trabalho que tenho realizado nos últimos anos, peço-lhe que me ajude com qualquer quantia. Qualquer valor ajudará. Um real que você doe será um frete mais barato que eu pagarei em um livro. 

Todo o dinheiro arrecadado será gasto apenas com livros.

Se você não puder me ajudar financeiramente, peço-lhe que me ajude com suas orações para que eu possa, cada vez mais, viver melhor a minha vocação.

Aqui estão os meus dados bancários:

Fábio Salgado de Carvalho 
Banco do Brasil 
Agência: 3.380-4
Conta: 30.940-0
CPF: 023.051.521-59

Fiquem todos com Deus!

sábado, 29 de setembro de 2018

Como votarei nas eleições de 2018 (Minha colinha para 2018)


Presidente
Jair Bolsonaro (17, PSL)

Governador
General Paulo Chagas (44, PRP)

Senador
Fadi Faraj (444, PRP)

Izalci (456, PSDB)

Deputado Federal
Bia Kicis (4417, PRP)

Deputado Distrital
Winston (44044 ,PRP) 

Como votarei para a câmara legislativa do DF em 2018


A linha de raciocínio que usei para escolher um candidato para o cargo de deputado distrital foi a mesma que usei para o cargo de deputado federal. Confesso que não estou plenamente seguro do meu voto para este cargo como estou para os outros. São 981 candidatos no total e 24 coligações. São muitas possibilidades, mesmo com os critérios de eliminação que tenho usado.

O PRP, coligado ao PRTB, tem, no total, 45 candidatos. Para que eu pudesse dar um voto com total segurança sobre o que estou fazendo, eu teria de avaliar todos esses candidatos para saber quem poderia ser eleito com o meu voto mesmo que o candidato em quem votasse fosse efetivamente eleito — lembrem-se de que, como expliquei no meu texto sobre o meu voto para deputado federal, o voto proporcional funciona com o número de cadeiras que será disponibilizado a cada partido ou coligação.

Dei uma olhada em vários deles — infelizmente, não consegui conhecer bem a todos pesquisando pela internet — e, pelo menos, sei que meu voto não iria eleger alguém que, em princípio, não votaria contra meus valores.

Assim como o presidente dependerá do Congresso para governar, o governador dependerá da câmara legislativa; então, o fato de que eu tenha optado por votar no General Paulo Chagas deve nortear minha escolha para o cargo de deputado distrital.

A melhor opção que consegui encontrar, avaliando tudo o que já expus nas postagens sobre os outros cargos, foi o Winston.

Como votarei para a Câmara Federal no DF em 2018


Na eleição para cargos que são escolhidos por meio de eleições proporcionais, o partido do candidato, levando-se em conta a possível coligação que ele tenha feito, é o principal critério que tem de ser considerado. 

Na votação proporcional, o resultado final é calculado com base no quociente eleitoral e no quociente partidário. O quociente eleitoral é definido pela soma do número de votos válidos dividida pelo número de cadeiras em disputa. Os votos válidos, entretanto, são a soma dos votos de legenda com os votos nominais, excluindo-se os brancos e nulos, o que inclui os votos da coligação.

Se você, por exemplo, escolheu votar em fulano, que pertence ao partido X, coligado com Y e Z, supondo-se que a coligação entre X, Y e Z teve direito a 2 cadeiras, se o seu candidato não foi nem o primeiro e nem o segundo com mais votos, você terá elegido beltrano e sicrano.

Não basta, portanto, que o seu candidato seja um Santo impecável e que defenda exatamente os mesmos posicionamentos que os seus: o seu voto poderá ser responsável por eleger alguém que defenda exatamente o oposto que você se o devido cuidado não for tomado.

Em Brasília, nós temos 14 opções de partidos e coligações:

(01) Brasília acima de tudo (PRTB, PRP)
(02) Brasília de mãos limpas (PDT, REDE, PSB, PV, PCdoB)
(03) DC
(04) Elas por nós: sem medo de mudar o DF (PSOL, PCB)
(05) NOVO
(06) PCO
(07) PPL
(08) Pra fazer a diferença I (PP, MDB, PSL, AVANTE)
(09) PSTU
(10) PT
(11) Renovar DF (PTB, PHS, PTC, PATRI)
(12) Renovar DF 2 (PMN, PMB, PROS)
(13) Unidos pelo DF 1 (PRB, PODE, PSC, PPS, PSD, SD)
(14) União e força (PR, DEM, PSDB)

Como já me decidi por votar no Jair Bolsonaro para a presidência, é importante que a minha escolha para a presidência norteie meus votos para o Congresso uma vez que o presidente precisará dos congressistas para governar. Em princípio, você pensaria no próprio partido do Bolsonaro, o PSL, mas, além de não ter feito uma boa coligação no DF, o Flávio Bolsonaro e o Eduardo Bolsonaro já explicaram que o Jair não conseguiu uma articulação com o partido por aqui e que aqueles candidatos que o apoiariam foram inclusive orientados a filiar-se ao PRP, que se coligou ao PRTB, partido do General Mourão, que é vice do Jair Bolsonaro, para o cargo de deputado federal.

Os candidatos do PRP e do PRTB são 16 ao todo. Como o meu voto, como já expliquei, pode ser responsável por eleger qualquer um desses candidatos, eu tive o trabalho de pesquisar sobre cada um deles. Infelizmente, em pleno século XXI, muitos ainda não perceberam como é importante fazer uso da internet para divulgarem suas idéias e nem sempre foi possível fazer uma boa análise de cada um.

Acabei optando pela Bia Kicis, cujo excelente trabalho de atuação política já acompanho há alguns anos. Há outros bons candidatos em quem cheguei a pensar em votar, como o Carlos Arouck ou como a Elisa Robson, mas confesso que o fato de a Bia ser uma aluna do professor Olavo de Carvalho, que considero o maior intelectual brasileiro vivo, e ser apoiada por ele foi algo que pesou muito na minha decisão.

Ela será alguém que irá lutar, no Congresso, por todos os valores que são importantes pra mim, que mencionei no texto em que justifiquei meu voto para a presidência, que será um apoio para o Jair Bolsonaro, caso ele seja eleito, e que levará, por meio do meu voto na coligação feita pelo seu partido, bons deputados para a Câmara. 

Como votarei para o Senado no DF em 2018



Para o Senado, em Brasília, tínhamos 20 candidatos:


(01) Brigadeiro Atila Maia (PRTB) [coligação: PRTB, PRP] - indeferido com recurso;

(02) Chico Leite (REDE) [coligação: PSB, PV, PCdoB, PDT e Rede];

(03) Chico Sant'Anna (PSOL) [coligação: PSOL e PCB];

(04) Cristovam Buarque (PPS) [coligação: PSD, PRB, PPS, Solidariedade, Podemos e PSC];

(05) Danilo Matoso (PCO) - indeferido com recurso;

(06) Fadi Faraj (PRP) [coligação: PRP e PRTB];

(07) Fernando Marques (SOLIDARIEDADE) [coligação: PSD, PRB, PPS, Solidariedade, Podemos e PSC];

(08) Helio Queiroz (PP) [coligação: PP, PPL] - indeferido com recurso;

(09) Izalci (PSDB) [coligação: PSDB, PR];

(10) João Pedro Ferraz (PPL) [coligação: PP, PPL] - indeferido com recurso;

(11) Juiz Everardo Ribeiro (PMN) [coligação: PMN, PTB];

(12) Leila do vôlei (PSB) [coligação: PSB, PV, PCdoB, PDT e Rede];

(13) Marcelo Neves (PT);

(14) Marivaldo Pereira (PSOL) [coligação: PSOL e PCB];

(15) Paulo Roque (NOVO) 

(16) Professora Amábile (PR) [coligação: PR, PSDB];

(17) Robson (PSTU);

(18) Romilda Teixeira (PSDB) [coligação: PSDB, PR] - indeferido;

(19) Walisson Nascimento (PTB) [coligação: PMN, PTB] - renúncia;

(20) Wasny (PT).

Pelo critério de eliminar partidos do Foro de São Paulo (PDT, PCdoB, PCB, PPL, PPS, PSB e PT) ou coligados com ele, são eliminados (02); (03); (04); (07); (08); (10); (12); (13); (14); (20).

Os candidatos (05) e (17), respectivamente, Danilo Matoso (PCO) e Robson (PSTU), podem ser trivialmente descartados, por meio de um critério que já expliquei no meu voto para o governo do DF.

A candidatura da (18) Romilda (PSDB) foi indeferida e o (19) Walisson (PTB) renunciou.

O PMN é de Esquerda; então, o Juiz Everardo está eliminado.

Os candidatos (09), Izalci, e (16), professora Amábile, também podem ser descartados por pertenceram ao esquerdista PSDB, mas voltaremos ao Izalci mais adiante.  

Restam, então, os seguintes candidatos: 

(01) Brigadeiro Atila Maia (PRTB) [coligação: PRTB, PRP] - indeferido com recurso;

(06) Fadi Faraj (PRP) [coligação: PRP e PRTB];

(15) Paulo Roque (NOVO).

O partido NOVO tem um problema que já apontei na explicação do meu voto para o governo do DF. Além do mais, tendo em vista o fortalecimento de uma base no Congresso que pudesse favorecer o Bolsonaro, em um possível governo seu, caso ele seja eleito, o Fadi Faraj pertence ao PRP, que o Flávio Bolsonaro e o Eduardo Bolsonaro já disseram que, no Distrito Federal, é o partido que concentrou os candidatos apoiados pelo seu pai, Jair Bolsonaro, por não terem conseguido uma articulação com o PSL, e o Brigadeiro Atila Maia pertence ao partido do General Mourão, vice do Bolsonaro.

Em princípio, portanto, eu votaria no Brigadeiro Atila Maia e no Fadi Faraj; entretanto, depois que a candidatura do Brigadeiro foi indeferida, embora esteja sujeita ainda a recurso, comecei a pensar em um possível substituto para o voto que lhe daria e acabei pensando que seria melhor dar um voto útil ao Izalci.

As pesquisas de intenções de voto feitas pelo Ibope, pelo Datafolha e pelo Instituto Opinião Política têm colocado os candidatos Cristovam (PPS), Leila do Vôlei (PSB), Chico Leite (REDE) e Izalci (PSDB) como os principais que disputam pelas duas vagas. Seria desastroso termos dois senadores de partidos do Foro de São Paulo, como o Cristovam e a Leila do Vôlei, ou um de um partido do Foro e outro coligado com três partidos do Foro como o Chico Leite.

Creio que seja, então, estratégico votar no Izalci mesmo que ele seja maçom e que faça parte de um partido como o PSDB. Favoravelmente ao Izalci, pesa um ranking feito pelo Instituto Monte Castelo, presidido pelo meu amigo Felipe Azevedo Melo, para dar notas aos deputados da última legislatura, iniciada em fevereiro de 2015, de acordo com seus votos em pautas concernentes à defesa da vida, da liberdade e da responsabilidade. O Izalci obteve uma boa pontuação.

Eu também, de qualquer forma, não tinha conseguido encontrar praticamente nada sobre o Brigadeiro Atila Maia, que não tem quase nada, nas redes, para que possamos saber mais sobre ele e sobre os seus posicionamentos. 

Decidi, portanto, que votarei no Fadi Faraj (PRP) [444] e no Izalci (PSDB) [456].

sábado, 22 de setembro de 2018

Todos os livros da Bíblia dão amostras evidentes da sua canonicidade? (Dave Armstrong)


Até mesmo os livros de São Paulo foram contestados, ou pelo menos não apresentados como "Escritura" per se., por pelo menos duas grandes figuras antigas. Por exemplo, não temos nenhuma evidência positiva de que São Justino Mártir (165 d.C.) considerou Filipenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filêmon, Hebreus, Tiago, 2 Pedro ou 1, 2 e 3 João como livros bíblicos. São 11 dos 27 livros. O mesmo se aplica a 2 Timóteo, Tito e Filemon no que diz respeito a São Policarpo (69 d.C. - c. 155 d.C.). Santo Irineu, Orígenes, Tertuliano e São Clemente de Alexandria não afirmam, expressamente, que Filêmon seja canônico no período entre 160 d.C. e 250 d.C. .

Além disso, 1 Pedro não era considerado canônico no período entre 30 d.C. e 160 d.C. e foi aceito, pela primeira vez, apenas por Santo Irineu (c. 130 d.C. - c. 200 d.C.) e por São Clemente de Alexandria (c. 150 d.C. - c. 215 d.C.). O mesmo acontece com 1 João, que também foi aceito, primeiramente, por Santo Irineu. Ele ainda estava sob disputa por uma minoria no período "tardio" entre 250 d.C. - 325 d.C. (assim como 1 Pedro). O livro de Atos era pouco conhecido ou citado no período entre 30 d.C. - 160 d.C. e só foi gradualmente aceito entre 160 d.C. e 250 d.C. . Ele ou não era conhecido ou não foi citado por São Clemente de Roma, por Santo Inácio, por Papias e pela Didaquê (tudo antes de 150 d.C.).

São Justino Mártir, São Clemente de Alexandria, Tertuliano e Orígenes, todos eles citam ou aludem-no, mas não se referem, especificamente, ao livro como sendo canônico ou Escritura Sagrada inspirada. Isso dificilmente é consistente com um cenário de pouca dúvida ou de "virtualmente, nenhuma disputa" sobre sua canonicidade (sem mencionar que um homem comum médio não teria como lê-lo e imediatamente discernir que se trata de um texto escriturístico sem o benefício prévio do recebimento dessa verdade pela Tradição cristã ou de uma Bíblia que traga, como temos hoje, os textos canônicos).

Todas as informações acima foram, originalmente, obtidas (para o meu primeiro livro) de fontes exclusivamente protestantes: New Bible Dictionary, Oxford Dictionary of the Christian Church e do From God to Us: How We Got the Bible (Norman L. Geisler; William E. Nix, Chicago: Moody Press, 1974).

Tudo isso sustenta minha alegação de que não é, simplesmente, fácil ler todos os livros bíblicos e "saber" que eles são inspirados e canônicos somente a partir de evidências internas contidas neles. A autoridade da Igreja foi requerida e é essa a minha principal alegação aqui. Estou opondo-me aos protestantes que, de forma tola, sustentam que a autoridade da Igreja não foi necessária no estabelecimento do cânon. Uma abordagem inteligente e racional da questão do cânon exige que reconheçamos a complexidade do processo (e, diria eu, a necessidade da autoridade da Igreja, em algum sentido, mesmo de uma perspectiva protestante).

Quanto aos livros que, por fim, decidiu-se que não integrariam o cânon bíblico: os Atos de Paulo foram aceitos por Orígenes e recebeu traduções para o grego, o latim, o siríaco, o armênio e o árabe. O Evangelho de Hebreus foi aceito por São Clemente de Alexandria. 1 e 2 Clemente e os Salmos de Salomão foram inclusos no Codex Alexandrinus do início do quinto século. Eusébio (História Eclesiástica, 3, 16) diz-nos que 1 Clemente era lido em muitas igrejas. A Epístola aos Laodicenses, conhecida, devido a São Jerônimo, como sendo forjada, foi inclusa em muitas Bíblias, do sexto século ao décimo quinto, reaparecendo até mesmo em bíblias protestantes inglesas e alemãs do século XVI.

O Norman Geisler informa-nos que a Epístola de Policarpo aos Filipenses é parte dos "apócrifos do Novo Testamento", uma classificação de livros que ele descreve como aqueles "aceitos por um grupo limitado de cristãos, por um tempo limitado, mas que nunca ganharam um reconhecimento amplo ou permanente" (Ibid. , p. 121,124). Ele inclui as Sete Epístolas de Inácio nesse grupo também.

De acordo com F. F. Bruce (The Canon of Scripture, Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 1988), "A Pregação de Pedro" foi "altamente estimada" por São Clemente de Alexandria (p.194). Bruce também notou o texto aparentemente docético do "Evangelho de Pedro":
"No segundo século, ele foi lido e apreciado por cristãos que estavam propensos a aceitá-lo por ele ter sido escrito por Pedro. Até mesmo Justino Mártir parece citá-lo em um lugar" (p. 200).
Bruce afirma que São Clemente de Alexandria chegou a citar o Evangelho "completamente gnóstico", de acordo com os egípcios, "não uma, mas quatro vezes" (p. 189), explicando que "Clemente pode tomar um dito gnóstico que atribui a Jesus e dar-lhe uma reinterpretação ética que não ofenderia a ninguém". O mesmo Padre (exercendo o que Bruce chama de "hospitalidade") citou com aprovação "Tradições de Matias" e "Oráculos Sibilinos" (p. 191). Ele também citou declarações não canônicas de Jesus, conhecidas como "agrapha".

De acordo com Brooke Foss Westcott (A General Survey of the History of the Canon of the New Testament: Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 6th edition, 1980, da edição de 1889, 110-111; cf. Bruce, ibid., 127), Justino Mártir também cita, repetidamente, uma obra chamada "Memórias dos Apóstolos" (e. g., dez vezes em seu "Diálogo com Trifão").

Santo Atanásio achava que a Didaquê era boa o suficiente para ser inclusa ao lado dos livros canônicos, na mesma lista em que, pela primeira vez, encontram-se os 27 livros do Novo Testamento, e que poderia ser lida de forma proveitosa nas igrejas para edificar os fiéis (Bruce, ibid., 209). São Cirilo de Jerusalém (f. 386) tomou a mesma posição (Ibid., 211), assim como Rufino (f. 410) (Ibid., 225).

São Pedro, em 2 Pedro 3.16 (RSV), refere-se às "cartas" de São Paulo, nas quais "Há algumas coisas [...] difíceis de serem compreendidas, as quais os ignorantes e instáveis distorcem para a sua própria perdição, assim como fazem com as outras Escrituras". No entanto, tudo o que podemos determinar, a partir disso, é que Pedro considerou as cartas de Paulo (i.e., aqueles de que ele estava ciente) como sendo Escritura. Nós não sabemos quantas são ou de quais ele estava falando.

A International Standard Bible Encyclopedia afirma o seguinte sobre o livro de Hebreus:
"O autor e os seus leitores não eram discípulos pessoais de Jesus, mas tinham recebido o evangelho daqueles que tinham ouvido o Senhor (2.3) e não estavam mais vivos (13.7) [...] A passagem que é mais conclusiva contra a autoria paulina (2.3) é igualmente conclusiva contra a autoria de qualquer outro apóstolo" (Vol. II, 1357-1358, "Hebrews, Epistle to the").
Essa obra padrão de referência bíblica protestante considera Hebreus 2.3 como uma evidência "conclusiva" de que nenhum apóstolo escreveu o livro de Hebreus. São Paulo viu Jesus ressuscitado. Portanto, ele era uma testemunha de Jesus (1 Cor. 9.1, 15.8; At. 22.6-11) e estava completamente qualificado para ser um apóstolo — essa fundamentação é bastante conhecida. A definição bíblica de apóstolo é um tanto quanto fluida e flexível (como é o caso da maior parte das funções na Bíblia em seu estágio inicial de desenvolvimento); contudo, se a apostolicidade e o conhecimento da autoria são dois modos de facilmente identificar um livro como sendo canônico, então, o livro de Hebreus falha duplamente. A Igreja, por fim, reconheceu sua condição intrínseca como texto sagrado, mas isso não teria sido tão fácil de ser feito por alguém individualmente. 

Argumenta-se que a crença comum da Igreja primitiva de que o livro teria sido escrito por São Paulo foi a razão pela qual o livro poderia ter sido aceito. Tal teoria, entretanto, não é evidente no livro em si mesmo. Só se pode chegar a ela por meio de complicadas comparações e análises internas que estão, obviamente, além da capacidade de um indivíduo médio. 

A autoria por parte de um apóstolo não foi estritamente requerida na compreensão de canonicidade da Igreja primitiva. Alguns protestantes parecem achar que ela era necessária, mas ela não foi. Isso apenas tornou mais fácil concluir que um dado livro era inspirado. F. F. Bruce explica isso:
"A insistência de Jerônimo em que a canonicidade não é dependente de uma autoria particular, nem mesmo da autoria apostólica, revela um "insight" que muitas vezes tem sido ignorado nas discussões sobre o cânon da Escritura, tanto em épocas mais antigas quanto em tempos mais recentes" (The Canon of Scripture, 227).
Bruce afirma que Santo Agostinho tinha a mesma visão:
"Para ele, assim como para Jerônimo, a canonicidade e a autoria são questões distintas.".
"Como seu contemporâneo mais velho Jerônimo, ele fazia a distinção entre canonicidade e autoria apostólica" (Ibid., 232, 258).
O critério antigo mais acurado para a canonicidade é descrito por Bruce da seguinte maneira:
Mesmo em um período anterior, a autoria apostólica, no sentido direto, não era exigência, se alguma forma de autoridade apostólica pudesse ser estabelecida. [...] Se um escrito era obra de um apóstolo ou de alguém intimamente associado a um apóstolo, deveria pertencer à era apostólica. Escritos de data posterior, fossem quais fossem seus méritos, não poderiam ser inclusos entre os livros apostólicos ou canônicos. 
Bruce faz uma declaração interessante sobre o Evangelho de João:
Justino não diz nada sobre a autoria do Quarto Evangelho [...]. O primeiro escritor conhecido a chamar o evangelista de João foi Teófilo, Bispo de Antioquia c. 180 d.C. (To Autolycus, 2.22). (Ibid., 129)
O autor de 1 João é anônimo. Creio que todas as três epístolas foram escritas pelo Apóstolo João, autor também do Evangelho que porta o seu nome, mas, novamente, isso não necessariamente seria aparente imediatamente ou facilmente a um leitor casual. "Ancião" ou "presbítero" dificilmente é uma identificação conclusiva. Eu poderia escrever uma carta assinada com "o apologista" — mas isso dificilmente diria às pessoas que o autor seria Dave Armstrong!

O polemista anticatólico Ken Temple declarou: "Paulo e Pedro reivindicam inspiração nos seus escritos: 1 Coríntios capítulo 2, 7:1, 40, 2 Pedro 1:12-21, 3:1, 3:16".

Ele está fazendo eisegese com 1 Coríntios 2 para chegar a essa conclusão. Nenhuma das palavras usadas são uma prova definitiva de inspiração. Pelo contrário, Paulo está expressando que está sendo guiado pelo Espírito Santo da mesma forma pela qual todos os cristãos são guiados ou deveriam sê-lo. Obviamente, nem todos nós fomos inspirados a escrever as Escrituras. Então, São Paulo escreve, por exemplo: " [...] tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. [...] Deus no-las revelou pelo seu Espírito" (2.9-10). Então, essa é uma iluminação espiritual, mas não apenas dada aos apóstolos e/ou aos escritores inspirados da Escritura, mas "para aqueles que o amam". No versículo 12, ele explica que o Espírito que habita em nós ajuda-nos a "conhecer as graças que Deus nos prodigalizou". 

Isso nada tem a ver com a inspiração e com a Escritura, como indicado, novamente, no versículo 13: "[...] aqueles que possuem o Espírito". Paulo continua o seu ensino geral sobre o Espírito que habita em nós e sobre o discernimento das coisas espirituais, referindo-se aos "dons do Espírito Santo", no versículo 14 e sobre o "homem espiritual" no versículo 15. Quando ele conclui: "Nós, porém, temos o pensamento de Cristo" (2.16), isso também não está se referindo somente à inspiração dos autores bíblicos de forma nenhuma. Trata-se de um tema comum em Paulo (cf. Rm. 8.6, 27; 11.34; 15.6; 1 Cor. 1.10; cf. Hb. 8.10). Além disso, o início do capítulo refere-se a uma proclamação oral anterior de Paulo, não à Escritura escrita em absoluto (2.1-4).

Tudo o que 1 Coríntios 7.40 diz-nos é que Paulo tem o "Espírito de Deus". Sim! O mesmo acontece com todos os cristãos (Jo 14.16-18; Rm. 8.9-11; 1 Cor. 2.12; 3.16-17; 6.19; Gl. 4.6; 1 Jo. 3.24; 4.12-16). No entanto, todos nós não escrevemos a Bíblia, não é? Então, isso prova exatamente nada e não passa de um raciocínio circular desesperado e de eisegese. 

2 Pedro 1.19-21, por outro lado, realmente aborda a inspiração (embora não prove o que o Ken acredita que a passagem prova). Todos nós concordamos que a Escritura é inspirada. Tecnicamente, no entanto, Pedro não está reivindicando aqui inspiração para a sua própria escrita, na qual ele faz essa observação: também há uma aplicação à profecia falada em 1.21 ("Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus"), que pode estar, mais tarde, registrada nas Escrituras, mas não necessariamente (e não há muitas profecias no Novo Testamento).

Apenas o autor do Apocalipse realmente, expressamente, alega inspiração (isto é, para aquilo que estava escrevendo, assim como os profetas do AT reivindicavam inspiração direta). Uma vez que Pedro aqui se refere, genericamente, à "Escritura" e à "profecia", e não ao seu presente escrito, isso não refuta minha alegação. Tudo o que a passagem sugere é que as Escrituras são inspiradas, como todos os cristãos crêem.

Novamente, em 2 Pedro 3.16, Pedro chama os escritos de Paulo (ele não nos diz quais) de "Escritura". Claro! Ninguém discorda disso. Só não sei que conexão o versículo 1 tem com isso. Pedro diz que essa é sua segunda carta. Ele ainda não afirma que seja Escritura. Nós cremos que ela é. Talvez haja outras evidências internas sugerindo que sim, mas isso não refuta minha afirmação.

Não podemos concluir que o fato de que Pedro tenha chamado a sua carta de uma carta signifique que ele está chamando-a de Escritura porque ele iguala as cartas de Paulo às Escrituras. Isso não se segue, mesmo se a carta de Pedro for de fato Escritura, como cremos. Não acredito que os escritores da Bíblia necessariamente sabiam que o que eles escreviam era inspirado. Eles, muitas vezes, parecem não estar cientes disso ou, então, não declaram algo assim, em função de humildade.

Quanto à minha opinião, tenho o apoio de F. F. Bruce (em sua seção "Inspiração", no capítulo 21: "Critério de canonicidade"):
"Por inspiração, nesse sentido, quer-se dizer aquela operação do Espírito Santo pela qual os profetas de Israel foram capacitados a falar a palavra de Deus. 
[...] Apenas um dos escritores do Novo Testamento baseia expressamente a autoridade do que escreveu em inspiração profética. O Apocalipse é chamado de 'o livro desta profecia' (por exemplo, Ap. 22.19). O autor implica que suas palavras foram inspiradas pelo mesmo Espírito da profecia que falara por meio dos profetas da antiguidade [...] seu apelo por meio do Apocalipse não é à autoridade apostólica, mas à inspiração profética [...]. Não se deve negar que [os livros do Novo Testamento] eram (e são) assim inspirados, mas a maior parte dos autores do Novo Testamento não baseia sua autoridade na inspiração divina [...] Quando, porém, [Paulo] precisa afirmar sua autoridade [...], ele a baseia na comissão apostólica que havia recebido do Senhor exaltado.  
[...] a inspiração divina dos evangelhos de Marcos e Lucas não deve ser negada, mas esses escritos foram aceitos, primeiramente como Escrituras dotadas de autoridade e depois como canônicos, porque foram reconhecidos como testemunhas fidedignas dos eventos da salvação. 
Clemente de Roma reconhece que Paulo escreveu 'com verdadeira inspiração' [1 Clemente 47.3]. Entretanto, faz alegação semelhante para a sua própria carta. 
[nota de rodapé 38: 1 Clemente 63.2; cf. 59.1, onde ele descreve o conteúdo de sua carta como 'palavras faladas por Cristo por nosso intermédio'. A liberdade que a idéia de inspiração era utilizada por alguns pais da igreja é bem ilustrada por uma carta de Agostinho a Jerônimo, em que se afirma que a interpretação bíblica de Jerônimo foi realizada 'não apenas pelo dom, mas pelo ditado do Espírito Santo' (Agostinho, Epístola 82.2 = Jerônimo, Epístola 116.2) [...].] 
[...] Semelhantemente, Inácio alega falar e escrever pelo Espírito. Ele tinha, sem dúvida, o dom (ocasional) de profecia: 'Não é segundo a carne que vos escrevo', diz ele à igreja em Roma, 'mas segundo a mente de Deus' [Inácio, Aos Romanos, 8.3]. 
[...] Em nossos dias, todavia, a inspiração já não serve como critério de canonicidade. 'Foi apenas quando a fita vermelha da autoevidência foi atada ao redor dos 27 livros do Novo Testamento que 'inspiração' passou a servir aos teólogos como uma resposta à pergunta: Por que estes livros são diferentes de todos os outros?' 
[nota de rodapé 47: K. Stendahl, The Apocalypse of John and the Epistles of Paul..., p. 243...] (Ibid. 264-268)"
Sim! Exatamente! Isso complementa meu argumento perfeitamente e apóia-o. Estou afirmando que uma maneira particular de determinar o cânon é inadequada. Estou também argüindo que a Igreja é necessária aos cristãos a fim de termos uma compreensão ou uma moldura definitiva de quais livros são bíblicos e de quais não são. Tal abordagem não é qualquer tipo de "desmerecimento da Bíblia". A Bíblia não pode ser usada para produzir um argumento baseado naquilo que os livros bíblicos, individualmente, supostamente alegam, quando eles, de fato, sequer fazem alegações desse tipo. 

Decidir qual é o cânon é diferente de produzir aquilo que as Escrituras são porque elas são inerentemente inspiradas. Em outras palavras, o cânon não é idêntico à Escritura, não mais do que um sumário é idêntico ao livro que ele descreve por capítulo.

Eu não nego qualquer "autoatestação", eu apenas nego que isso, por si só, foi suficiente para estabelecer um cânon conhecido com limites definitivos, ou que isso seja uma característica abrangente de "todos" os livros bíblicos como alguns protestantes querem. 


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Como votarei para o governo do DF em 2018


Como vocês viram na minha postagem sobre por que votarei no Bolsonaro, o meu primeiro critério de eliminação tem sido o Foro de São Paulo (PDT, PCdoB, PCB, PPL, PPS, PSB, PT). Usando-o, eliminamos 5 dos 11 candidatos ao governo de Brasília, a saber:

Fátima Souza (PSOL) [coligação: PCB/PSOL]

Ibaneis Rocha (MDB) [coligação: PP/MDB/PSL/PPL/AVANTE]

Júlio Miragaya (PT)

Rodrigo Rollemberg (PSB) [coligação: PDT/REDE/PSB/PV/PCdoB]

Rogério Rosso (PSD) [coligação: PRB/PODE/PSC/PPS/PSD/SD]

Quem se lembra da resolução de equações de segundo grau aplicadas a problemas físicos deve lembrar-se que era muito comum descartar, trivialmente, soluções quando elas não se aplicavam à realidade. Por exemplo, suponhamos que você queira calcular o valor da aceleração da gravidade em um planeta, mas encontre uma solução positiva e outra negativa. Por não haver, segundo a física corrente, gravidade negativa, o valor negativo é desprezado e fica-se com o positivo.

Podemos efetuar uma operação semelhante com relação aos candidatos Renan Rosa (PCO) e Guillen (PSTU): eles podem ser trivialmente descartados por fazerem parte de partidos patéticos de Esquerda.

A Eliana Pedrosa (PROS) [coligação: PROS/PTB/PHS/PATRI/PMN/PTC/PMB] pode ser eliminada por ser uma militante do movimento LGBT. Embora apareça, no horário eleitoral, defendendo a família tradicional, ela se assumiu homossexual recentemente. Até aí, sem problemas. Meu problema não é com aquilo que cada um escolhe fazer da sua vida sexual entre quatro paredes, mas na sua vida pública. Meu problema não é com homossexuais, mas com o movimento gay — não sei se vocês sabem, mas o Catecismo da Igreja Católica, inclusive, por exemplo, no seu ponto 2358, afirma que os homossexuais "devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza". Cristãos homossexuais são tão vocacionados à santidade quanto cristãos heterossexuais. Como disse, certa feita, o padre Paulo Ricardo, "A 'cura gay' é igual à cura hetero, que é igual à cura bissexual, que é igual à cura transsexual, que é igual a qualquer outra cura, que se chama santidade".

No âmbito público, no próprio site da Eliana, podemos ver um dos seus projetos de lei: 

"PL 951/2008
Fica incluída no Calendário Oficial de Eventos do Distrito Federal a Parada do Orgulho LGBTS das Cidades do Distrito Federal.".

Ela é favorável às cotas e queria que 40% das vagas das faculdades públicas do DF fossem destinadas a alunos de escolas públicas:

"PROJETO DE LEI n" 1812/05, de autoria do(a) Sr(a). Deputado(a) ELIANA PEDROSA. que altera o art. 1g da Lei ng 3.361, de 17 de junho de 2004, que "Institui reserva de vagas, nas universidades e faculdades públicas do Distrito Federal, de, no mínimo, 40% (quarenta por cento) por curso e por turno, para alunos oriundos de escolas públicas do Distrito Federal".

Antes de pertencer ao PROS, era do PPS, que faz parte do Foro de São Paulo.

Ela também fez campanha em favor do desarmamento. Ela, portanto, está eliminada.

O Alberto Fraga (DEM) [coligação: PR/DEM/DC/PSDB], está coligado com o socialista PSDB e, no seu plano de governo, ele fala que foi responsável por essa piada de "feminicídio". Por três vezes, no seu plano, ele afirma que apoiará o movimento LGBT.

Sobram, finalmente, o Alexandre Guerra (NOVO) e o General Paulo Chagas (PRP) [coligação: PRP/PRTB].

O General é apoiado pelo Bolsonaro, é católico, até onde pude investigar, o seu plano de governo é razoável e tive uma boa impressão das suas inúmeras entrevistas que pude ver no YouTube e dos artigos no seu site

Quanto ao Alexandre Guerra (NOVO), confesso que gostei mais do seu plano de governo, mas o NOVO tem aquele problema de sempre, de ignorar a cultura e os valores morais em favorecimento de uma ênfase exclusiva nas relações econômicas.

A escolha do governador norteará o meu voto para deputado distrital, uma vez que ele dependerá da Câmara Legislativa. 

O NOVO não se coligou a nenhum partido para as eleições para deputado distrital, de modo que eu teria de privilegiar candidatos do partido para um cargo eletivo em que a defesa de valores é essencial. 

O PRP do Paulo Chagas, por sua vez, coligou-se ao PRTB para o cargo de deputado distrital. Sinto-me mais confortável para escolher candidatos desses partidos. Como o PRTB, partido do vice do Bolsonaro, o General Mourão, está coligado ao PSL para o cargo de presidente, seria bom também fortalecer esses partidos no âmbito distrital. 

Considerando tudo isso, fico com o General Paulo Chagas (PRP).