domingo, 30 de outubro de 2016

Sobre as doentias comemorações no dia da Reforma Protestante


Há muitos anos, quando ainda era protestante, eu percebi que comemorar o dia da Reforma Protestante, no dia 21 de outubro, é algo, completamente, doentio. Tempos atrás, o Anderson Torres, que é protestante, a quem conheci pelas redes sociais, fez uso de uma analogia que fui aperfeiçoando com o passar dos anos. Exagerei-a, em vários detalhes, para favorecer a visão histórica dos protestantes; obviamente, os católicos têm uma concepção sobre a história completamente diferente.

Suponha que um filho saiu de sua casa. Ele não apenas saiu de casa, mas fez isso de maneira justificada: ele era, constantemente, agredido — seu pai era bêbado, agredia toda a família, incluindo a sua mãe e seus irmãos. Cansado daquilo tudo, ele fugiu de casa no dia 31 de outubro. Depois desse evento, todos os anos, ele solta fogos de artifício comemorando aquele dia. Como se isso não fosse suficiente, ele ensinou os seus filhos a fazerem a mesma coisa, de modo que se tornou uma tradição comemorar o dia em que ele fugiu de casa.

Agora, expliquem-me: que sujeito, em sã consciência, com o pleno funcionamento das suas capacidades cognitivas, em vez de lamentar, com tristeza, o incidente que ocorreu na sua vida que o levou a sair de casa, comemora, anualmente, o fato de que ele abandonou a sua casa?

Em 27 anos freqüentando meios protestantes de todo tipo, eu nunca vi nenhum protestante falando sobre o episódio com tristeza; em contrapartida, nós, católicos, oramos, diariamente, pela união da Igreja e pelos nossos irmãos separados. Olhamos com verdadeira tristeza todos os episódios da história em que houve dissensões na Igreja, incluindo a separação dos nossos irmãos ortodoxos; entretanto, os protestantes vivem fazendo festa por isso. Se essa atitude não é, no mínimo, doentia, não sei mais o que ela pode ser.
O dia da Reforma não deveria ser um dia de comemoração ou de "ação de graças" — algumas igrejas chegam ao cúmulo do absurdo ao fazer cultos em ação de graças pelo dia da Reforma! —, mas um dia para todos os cristãos chorarem por não terem conseguido seguir aquilo que o apóstolo Paulo recomendou-nos:
"Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentir e no mesmo parecer. [1Cor 1.10]

A oração de Jesus Cristo pelos crentes era para que fôssemos um para que o mundo pudesse reconhecê-lO em nós:
"Minha oração não é apenas por eles [seus discípulos]. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.". [Jo. 17.20-23]
Jesus Cristo alertou-nos para o fato de que "todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá." [Mt. 12.25].

Em Judas 1.19, lemos que quem causa divisões entre os cristãos segue a tendência da sua própria alma e não têm o Espírito.
Aos gálatas, em Gálatas 5.20, São Paulo enumera a discórdia, a dissensão e as facções entre as obras da carne.

Se, mesmo depois disso tudo, você ainda quiser soltar rojões por pecado tão grave, esteja à vontade, mas tenha plena consciência do que está fazendo.

2 comentários:

  1. Nós, crentes evangélicos, não lembramos de Lutero com tristeza, mas acreditamos que ele foi liberto por Cristo da religião e do erro. Que Lutero iniciou uma nova era de livre pensamento quanto a fé - pelo menos uma era de livre leitura e estudo da Bíblia, ainda imperfeita. Nós, batistas, não concordamos com tudo o que Lutero disse ou fez, mas ainda temos nele um representante, um iniciador de algo novo e melhor.

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  2. Marcelo, eu fui protestante, batista, por 27 anos. Você não precisa, portanto, dar-me aulas sobre o que os batistas crêem ou não crêem. Você acredita mesmo que os cristãos estiveram no erro por 16 séculos até o surgimento do iluminado do Lutero? Como fica a promessa de Jesus Cristo de que ele estaria conosco todos os dias até a consumação dos séculos e de que as portas do Inferno não prevaleceriam contra a Sua Igreja? A crença de que Lutero foi responsável por permitir que os cristãos lessem a Bíblia e que a estudassem é uma simples falsificação histórica em que só acredita quem nunca se deu ao trabalho de estudar a história da Igreja. Muito antes dele, já existiam inúmeras traduções das Sagradas Escrituras para inúmeras línguas, incluindo o alemão, e a Igreja sempre incentivou o estudo da Bíblia. É óbvio que os batistas não concordam com tudo o que Lutero disse: do contrário, eles seriam luteranos.

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